sábado, 18 de dezembro de 2010

Mais e melhor

Por vezes, desiludo-me a mim mesma! Sinto que não chego onde queria chegar. Quero mais de mim. Quero conseguir mais. Quero mais! Quero conseguir pensar mais depressa. Quero conseguir dominar a minha vida, e aquilo que faço dela e com ela melhor! Sinto que não chego ao patamar que queria… E sinto que quanto mais quero lá chegar, mais para baixo vou. Tenho um medo terrível de desiludir quem me rodeia, pessoal e profissionalmente. E, no entanto, sinto que desiludo. Sinto que já desiludi como filha, como irmã, como amiga, como colega, como amante… E pior, não consigo deixar o passado onde ele pertence: No passado! Parece que cada vez que erro, esse mesmo erro persegue-me durante muito tempo, não me deixando ver as coisas boas que há no futuro e, sobretudo, no presente. Existem alturas em que acredito que até os princípios que falo, os valores pelos quais me guio, já não os “cumpro”! Fazes-me falta. Não sabes o que senti quando te vi, naquele dia, ao longe. Tu ajudavas-me a ultrapassar tudo isto, estavas ali. E ainda hoje estarias, se eu te deixasse. Não deixo porque, mesmo depois de todo este tempo, quando te vi o meu coração ficou muito apertado e eu, não fiquei nada bem desde então. A saudade aperta e faço um esforço enorme para não te dizer nada durante estes dias. Da mesma forma que tu não és quem eu pensava, lamento informar, mas eu também não sou quem tu pensavas!
Também a ti, de uma certa forma, te desiludi.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Agonia


Podes não acreditar mas já te tentei perdoar. Acredita que dentro de mim há uma força pequenina que pede para te perdoar. Mas não consigo. Não porque gosto de ti ou não. Nada disso. Simplesmente porque não és quem eu acreditei que eras. Tu, um dia, vais perceber que ao mentires assim vais acabar sozinho sufocado nas tuas mentiras, isto é, se já não estás sozinho. A tua vida é como um comboio: Tu juntas pessoas novas todos os dias em cada estação que páras mas, no entanto, vais perdendo carruagens pelo caminho. Muitas e valiosas carruagens. Tenho vergonha de ti, de quem és, de quem amei. Mentes para te convenceres das tuas mentiras, vives uma realidade falsa, que achas que um dia vai ser verdade mas não. Tudo o que me fizeste, o quanto me magoas-te vai-te atormentar durante muito tempo. Porquê? Porque não sou a única a quem magoaste, não sou a única a quem mentiste. Tenho muita pena das pessoas que actualmente te rodeiam. Não te conhecem como eu te conheci, e, por consequência, não te podem amar como eu amei. Conforme o tempo passa sinto-me cada vez melhor, cada vez mais segura de que tu não eras para mim, pois eu mereço melhor. Muito melhor. Nunca te obriguei a nada, muito menos a mentir e, mesmo assim, mentis-te exactamente com o que não devias ter mentido se querias ficar, pelo menos, com a minha amizade. Agora, nem isso tens e falta disso, podes ter a certeza, que eu sei que tens. Queres-te sentir completo e não sentes. Rodeado por toda essa gente estás sozinho. E, como sempre, tentas-te convencer que estás feliz assim. Acho que, antes de mais, te devias convencer que és uma mentira. Uma mentira para todos mas, mais importante que isso, és uma mentira gigante para ti próprio. Não, não te odeio, mas também não te quero mais de volta na minha vida.


Foto: David Fernandes